domingo, 11 de maio de 2014


ESTRUTURA BÁSICA DE UM PROJETO TÉCNICO

            A redação técnica de um projeto será fundamental para a sua aprovação. A seguir, descreve-se uma estrutura básica que poderá servir como guia quando da elaboração de um projeto técnico ou, como quiser, um projeto de ação. Trata-se da descrição de um roteiro completo, seguindo mais ou menos as exigências dos agentes financiadores, embora, cada uma destas agências tenha modelo ou formulário próprio.

Estrutura básica

1. Folha de apresentação
·         Deverá conter:
¨    Nome do projeto;
¨    Instituição responsável e sua logomarca;
¨    Instituições envolvidas e suas logomarcas;
¨    Equipe responsável;
¨    Local e data.

2. Título
·         Ter presente que o título será muito importante para vender o projeto e deve provocar aquele primeiro interesse pelo mesmo;
·         Ter uma sigla - sonora, concisa, objetiva e que reflita a idéia geral do projeto;
·         Não deve ser extenso em demasia; porém, claro, coerente e consistente.

3. Introdução
·         Deverá dar uma idéia sucinta do conjunto do projeto (de onde surgiu a idéia, quais as intenções do trabalho, como foi organizado ...);
·         Evitar textos maiores que uma ou duas páginas;
·         Assegurar que seja uma espécie de “cartão de apresentação”;
·         Deverá suscitar interesse para que o leitor (consultor) analise o restante do projeto.

4. Proponente
·         Descrever a instituição, empresa ou organização responsável pelo projeto;
·         Fornecer os dados técnicos da mesma, tais como: nome, endereço completo, dados jurídicos (CNPJ, Inscrição Estadual, Municipal);
·         Inserir a logo, se existir;
·         Indicar as parcerias envolvidas com o projeto (reais e não as prováveis); se existirem, colocar os dados e logomarcas das respectivas organizações parceiras.

5. Equipe do projeto
·         Descrever, objetivamente, a equipe que elaborou o projeto e a equipe que deverá acompanhar o processo: equipe técnica, operacional e de apoio disponível;
·         Inserir um currículo resumido de cada profissional envolvido (será importante para dar fundamentação técnica e segurança aos financiadores). Pode-se utilizar o currículo da base Lattes na forma resumida - modelo exigido em instituições como Capes e CNPq;
·         Indicar o coordenador ou responsável pelo projeto, sendo importante ter um “regra dois” para a coordenação – indicar quem assume se o coordenador/responsável sair;
·         Ter uma coordenação “de peso” é importante (profissional reconhecido);
·         Descrever a estrutura disponível e a capacidade institucional para abrigar o projeto;
·         Descrever a capacidade técnica, física e operacional (instalada) do proponente, sua organização, planejamento, logística e recursos a serem utilizados;
·         Prever todos os recursos técnicos, materiais e físicos necessários à execução, porém, não comprometer recursos indisponíveis.

6. Contexto do projeto
·         Elaborar um diagnóstico da situação envolvida, de forma focada e sucinta;
·         Assegurar que o projeto parta de uma realidade e necessidade comprovada;
·         Ter dados reais da situação, com um retrato histórico e atual;
·         Descrever a contribuição dos beneficiários na elaboração do projeto.

7. Objetivos

7.1. Geral
·         O objetivo deve ser claro, coerente e sucinto para dizer o que o projeto quer;
·         Deve refletir a razão de ser do projeto, podendo ser abrangente;
·         Deve estar ajustado às normas dos financiadores - muitas instituições buscam palavras-chaves no texto do projeto (sustentabilidade, desenvolvimento social, impacto ambiental / social, geração de emprego, taxa de retorno financeiro, etc).

7.2. Específicos
·         Os objetivos específicos devem estar bem relacionados com o título, com o contexto do projeto e com o objetivo geral, mantendo o foco;
·         Utilizar verbos de acordo com a linguagem do financiador – infinitivo, particípio passado, gerúndio;
·         Redigir de forma clara o que se quer atingir, indicando os benefícios desejados para o público e área envolvida.

7.3. Resultados desejados
·         Indicar quais os resultados que se quer alcançar, concretamente, ao final do projeto;
·         Descrever os possíveis efeitos e impactos que o projeto pretende produzir;
·         Quantificar os objetivos tentando dar uma dimensão para os mesmos – apresentar os indicadores que podem ser uma boa medida para considerar que os objetivos foram alcançados;
·         Ser realista e manter coerência com os objetivos propostos.


8. Justificativas
·         O projeto deve estar baseado em uma justificativa absolutamente coerente, que fundamente a sua razão de ser;
·         Não deverá haver dúvida do por quê do projeto, o fim a que se destina, devendo convencer da necessidade e relevância dos objetivos propostos;
·         Deixar clara a sua contribuição social, ambiental, cultural, etc.;
·         Projetos sem uma boa justificativa geralmente são rejeitados - uma análise objetiva do contexto geral e específico poderá ser útil nesta fundamentação.

9. Revisão Bibliográfica
·         Procurar fundamentar teórica e tecnicamente o projeto;
·         Atenção às normas técnicas para as citações e referências, organização de quadros e tabelas, inserção de notas;
·         O número de páginas depende das possíveis regras da instituição financiadora, da amplitude do tema e da objetividade;
·         Cuidado para não ser longa demais e conter informações que pouco interessam aos objetivos do projeto;
·         Eventualmente, de acordo com as orientações do agente financiador, a revisão de literatura poderá ter outro título (fundamentação teórica, marco teórico, marco técnico ou outro) ou fazer parte de outra seção do trabalho.

10. Público-alvo
·         Delimitar o público envolvido e descrever os beneficiários diretos e indiretos, indicando-os também quantitativamente, se possível (comunidades, grupos, pessoas, etc);
·         Essa descrição deve ser realista e coerente com a proposta e estratégia do projeto.

11. Estratégia do projeto (atividades)
·         Descrever os meios e as ações que serão utilizados para assegurar o êxito do projeto;
·         Relacionar uma ou mais ações (o que fazer?) para cada objetivo específico com suas respectivas metodologias (como será realizado?);
·         Podem ser descritas a partir de um plano operacional (marco operacional) do projeto;
·         Estabelecer parcerias e políticas de atuação, com as possíveis alianças para a viabilização do processo;
·         Adequar a estratégia do projeto às linhas do financiador;
·         Não queimar etapas – as ações devem ser necessárias e suficientes para assegurar os objetivos pretendidos, mostrando coerência no texto;
·         Prever ações para minimizar possíveis resistências ao projeto.

12. Metodologia
·         Definir uma proposta metodológica a ser utilizada pelo projeto, descrevendo:
¨    Como o projeto será desenvolvido;
¨    Qual a dinâmica de implementação;
¨    Como ele será operacionalizado;
¨    Quais os instrumentos de execução;
¨    Qual a forma de condução;
·         Utilizar uma metodologia adequada ao público beneficiário, à instituição proponente e às instituições apoiadoras;
·         Descrever, seqüencialmente, o passo a passo do desenvolvimento do projeto.

13. Premissas e análise de risco
·         Analisar os riscos para o desenvolvimento do projeto, fazendo a sua previsão e observando as ameaças internas e externas.

13.1. Análise de viabilidade – fatores de controle interno
·         Descrever os elementos que asseguram a viabilidade do projeto;
·         Realizar uma análise dos fatores de risco internos do projeto.

Viabilidade política
§    Assegurar que o projeto esteja inserido nas políticas e programas governamentais e institucionais;
§    Assegurar que o mesmo obedeça aos aspectos legais vigentes.

Viabilidade financeira
§    Descrever:
¨                  Quanto vai custar;
¨                  Quem vai financiar;
¨                  Como será o financiamento.
Obs.: quando se pleitear um financiamento com o projeto, demonstrar claramente a viabilidade financeira da ação a ser financiada; mas, também claramente, demonstrar a viabilidade financeira das demais atividades desenvolvidas que não são objeto de tal financiamento – isto demonstra que, independentemente da aprovação ou não do projeto, a instituição será capaz de dar continuidade aos seus trabalhos. Se tal questão não ficar esclarecida, normalmente os projetos são reprovados – nenhum agente financiador aposta em uma instituição que só desenvolve uma ação ou que todas as ações dependam de um único agente financiador (dá a impressão que só está interessada no dinheiro).

Viabilidade técnica
§    Descrever:
¨                  Quem vai dar o suporte técnico;
¨                  Quanto vai custar tal suporte.

Viabilidade econômica
§    Analisar se o projeto garante o retorno dos investimentos;
§    Verificar se pode ser garantida a sua auto-sustentabilidade.
Obs.: o retorno do investimento não é medido em termos de cálculo financeiro-contábil (benefício-custo); mas em termos de eficácia (resultados da ação), eficiência (custo da ação) e efetividade (solução definitiva do problema). A auto-sustentabilidade está relacionada à possibilidade de garantir a continuidade da ação com recursos próprios, independentemente da renovação do financiamento.

Viabilidade social
§    Verificar se os beneficiários e envolvidos aceitam o projeto;
§    Analisar se há sustentabilidade social.

Viabilidade ambiental
§    Assegurar o respeito aos princípios de sustentabilidade ambiental.

13.2. Análise das premissas – fatores externos ao projeto
·         Analisar os fatores que estão fora do controle do projeto, mas que são importantes para o seu êxito;
·         As premissas podem ser definidas a partir da hierarquia de objetivos;
·         Formular as premissas com um enfoque positivo (como superá-las);
·         Verificar o grau de importância e qual a probabilidade de ocorrer;
·         Examinar se as atividades descritas conduzem diretamente aos objetivos específicos, ou se para isto acontecer, deverá haver um acontecimento adicional externo ao projeto;
·         Examinar se os objetivos específicos conduzem diretamente ao objetivo do projeto, verificando se existem algum fator externo ao projeto que possa contribuir ou impedir de se chegar a este fim.

14. Cronograma de execução
·         Descrever o período de execução, por fases e ações, especificando o responsável;
·         Ajustar o cronograma observando características regionais, para não ter imprevistos – colheita, chuva, festas, etc.;
·         Definir o calendário sempre com uma margem de segurança, respeitando a capacidade física, organizacional e financeira da organização;
·         Desenvolver um quadro sintético e de fácil visualização para facilitar a compreensão das etapas do projeto.

15. Orçamento físico e financeiro
·         Detalhar os custos e gastos do projeto, mantendo coerência com todas as etapas, com maior ou menor detalhamento, segundo as exigências do agente financiador;
·         Fazer o orçamento com valores realistas, segundo sua realidade operacional, sem superestimar nem subestimar, segundo pesquisa de mercado;
·         Definir com clareza a contrapartida da instituição proponente (geralmente salário não é aceito como contrapartida);
·         Elaborar o cronograma de desembolso (bimestral ou trimestral, para projetos curtos de 1 ou 2 anos; semestral ou anual, para projetos de 2 anos ou mais);
·         Especificar as necessidades materiais e de recursos humanos;
·         Organizar as planilhas de custos e apresentar a memória de cálculo, se solicitado pelo agente financiador;
·         Conhecer os itens financiáveis por instituição.

16. Controle e avaliação
·         Descrever o sistema de monitoria e avaliação do projeto, demostrando a forma de controle e ações corretivas;
·         Definir pontos de observação, fontes de verificação, indicadores e a periodicidade da avaliação.

17. Documentação

·         Prever um sistema de documentação para o projeto;
·         Definir formas de socializar as informações do projeto com as instituições cooperantes e envolvidos em geral.

18. Referências Bibliográficas
·         Relacionar apenas as citadas no projeto, seguindo as normas da ABNT;
·         Evitar referências não disponíveis (xerox, textos, etc).

19. Resumo do projeto
·         Elaborar uma síntese do projeto buscando dar uma idéia geral do mesmo ao leitor, antes de uma leitura mais detalhada.

20. Apresentação geral
·         Providenciar uma apresentação com uma formatação, layout e configuração básica seguindo as orientações dos financiadores;
·         Ter profissionalismo na redação e apresentação (confiabilidade, correção de linguagem, impessoalidade e bom visual);
·         Assegurar a coerência entre os elementos do projeto;
·         Priorizar textos objetivos e sucintos e, em alguns casos, um resumo executivo, o que poderá facilitar o trabalho dos analistas.


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